domingo, 16 de setembro de 2012
A caixa mágica.
Não sou saudosista, nem estou defendendo as antigas TV de tubo, como estas aí da foto. As TVs modernas são ótimas: mais leves, mais finas, consomem menos energia, têm alta-definição... Mas, hoje, eu percebi uma vantagem inigualável das TVs antigas.
Lembro-me de, ainda pequeno, acreditar por um momento que aquilo que acontecia na tela, na verdade, pudesse estar acontecendo dentro da caixa da TV. Você também lembra?
Já vi crianças indo olhar atrás da TV de led e não encontrarem nada lá. Pois é... Pobrezinhas... Para elas só resta mesmo acreditar que existe todo um outro mundo dentro do espelho.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Um descanso para o audiovisual.
| Homem assiste a nickelodeon. |
A coisa mais comum é a pessoa sacar o celular para filmar uma situação qualquer e publicar instantaneamente na internet. Arrisco dizer que adolescentes preferem produzir filminhos a escrever uma redação.
Isto é fruto de um processo de democratização nos meios de produção e circulação que aconteceu de forma acelerada nos últimos 30 anos.
Se por um lado esta democratização é uma evolução, por outro, traz algumas consequências não tão boas. Me explico.
Nos tempos em que fazer um filme era um processo caro, difícil e demorado, a produção era mais restrita e, por consequência, mais criteriosa. Havia uma seleção e preparação mais cuidadosa do que seria filmado. Este primeiro filtro na produção fazia uma "curadoria natural" do que chegava até o espectador. Além disso, havia pouca coisa para assistir e o que havia era valorizado. Basta pensar que, no início do cinema, as pessoas colocavam moedinhas nos nickelodeons (antigas máquinas que rodavam filmes curtos, como na foto acima) só para ver a novidade das imagens em movimento, como se fossem fotos animadas. Mais adiante, a chegada de um novo filme era um verdadeiro evento, pois finalmente havia algo diferente para ser assistido.
O que vivemos hoje é uma banalização do audiovisual. Tudo é filmado, tudo é publicado e pode ser assistido em tudo que é lugar. O lado ruim disto é que não existe um "descanso" entre as obras audiovisuais. Entre um grande filme e outro grande filme, existem milhares (se não milhões) de filmes menores para serem assistidos e, até mesmo quando você estiver olhando para o nada, poderá existir lá uma tela te entupindo de imagens em movimento.
Conclusão: quando você se dispõe a assistir um filme, já está saturado da linguagem e, sem dúvida, extrai um prazer menor desta experiência. Uma pena...
Para quem produz filmes profissionalmente, resta este grande desafio: fazer algo fresco e relevante neste ambiente saturado e poluído.
Para quem assiste, não há muito o que fazer. Fechar os olhos e ser mais seletivo, talvez.
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