quarta-feira, 19 de junho de 2013
Tentando entender as Manifestações 2013 - Um único movimento para reivindicações fragmentadas.
Eis aí um problema.
Contra o que exatamente estamos protestando?
Contra os R$ 0,20 do ônibus? Alckmin? Haddad? Dilma? Congresso? Gastos abusivos para a Copa do Mundo? Falta de saúde? Falta de educação? Violência da polícia? Má administração pública? PEC 37?
Que atitudes do governo nos fariam parar de ir às ruas?
Baixar a tarifa do ônibus? Renúncia do Alckimin? Implosão do Congresso Nacional?
Um mundo interligado, mas fragmentado.
A internet tem este caráter paradoxal. Por um lado, torna o mundo uma coisa só, por outro, cria pequenas tribos. Cada pequeno grupo compartilha e mastiga seus memes, suas músicas, suas preferências e suas ideias nas redes sociais. Para exemplificar. Não há mais um Roberto Carlos, mas dezenas de Luans Santanas, Gustavos Limas, Michel(s) Telós...
Cada pequena tribo se ligou a pequenos conjuntos de reivindicações.
Motivos não faltam: má gestão, corrupção, farra com o dinheiro público, falta de saúde e educação, gastos absurdos com a Copa do Mundo, transporte público lamentável, justiça travada, carga tributária opressiva, etc, etc, etc... Enfim, um Brasil repleto de absurdos públicos.
Vários motivos, uma só insatisfação.
Cada cidadão, com seu pacote de frustrações e reivindicações montado na frente de seu computador pessoal, agora sai às ruas em uma manifestação fragmentada.
Um único grito coletivo de basta apoiado em milhões de desejos subjetivos.
Uma atitude simbólica.
Enfim, o que as pessoas esperam é que tudo melhore. É justo, mas também etéreo. Por onde começar?
A única saída que consigo imaginar para o poder público neste momento é uma atitude simbólica e expressiva. Na impossibilidade de fazer tudo o que se está pedindo, restaria este ato que conseguisse denotar uma mudança que estaria por vir e, desta forma, acalmar os ânimos para que partíssemos para um outro momento, com atitudes que levem em conta que o sinal de alerta está ligado.
Das manifestações, eu espero bom senso e paz.
Mas, resta ainda uma pergunta.
Quem são nossos líderes?
Eu não sei. Nem do lado dos manifestantes, nem do lado governo.
Os pronunciamentos da presidenta Dilma, lendo textos polidos por marketeiros é uma cena devastadora e covarde.
Do outro lado, há uma horizontalidade do movimento que vai às ruas, em uma multidão em que cada um vai por si.
Difícil de entender e difícil de resolver.
Para ilustrar toda esta fragmentação.
Segue um link com cartazes. Cada qual com o seu qual.
http://www.naosalvo.com.br/os-top-23-melhores-cartazes-das-manifestacoes/
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