2013 não foi um ano bom para o Brasil. Andamos para trás em vários aspectos.
Houve aumento na violência com reflexos bastante claros nos números policiais e na popularização do MMA, um deprimente espetáculo de violência extrema.
Andamos para trás na cultura deixando que a Fifa nos obrigasse a construir estádios europeus em pleno clima tropical, ignorando nossos costumes e símbolos do futebol.
Esta mesma Fifa enfraqueceu nossa soberania nacional, passando por cima de leis que foram democraticamente implementadas no país. O caso mais gritante é o da sobreposição à lei que proíbe a venda de bebidas em estádios.
Nosso governo, que tanto nos pede paciência para implementar as mudanças que há décadas esperamos, com agilidade nunca vista antes, deu prioridade a todas as atitudes necessárias para a Copa do Mundo em canetadas que mudaram leis, aprovaram orçamentos super-faturados e gastaram nosso suado dinheirinho.
O crescimento recente do qual nos orgulhávamos, deu de cara no muro da nossa falta de educação e não tem mais para onde ir. Agora, percebemos o preço dos 30 anos de sucateamento da formação de nossos jovens.
Nossa classe política se revelou pior do que todas as nossas expectativas e parece não haver cidadão brasileiro que olhe para um político sem sentir nojo.
De positivo, só as manifestações de Junho que, embora tenham sido ignoradas por nossos governantes, conseguiram acender alguns debates e mostrou que não estamos mortos.
Por tudo isso, 2013 já vai tarde. As lembranças boas que podemos guardar dele são aquelas que construímos em nosso cotidiano. Como sociedade, falhamos.
Que 2014 seja muito melhor.
Feliz Ano Novo a todos.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
E o CLIQUE DE OURO vai para...
Ando meio assustado com a produção musical brasileira atual. Sejam grandes lançamentos ou produções independentes, só vejo mesmice. Culpa de quem?
Pensemos no início de tudo, lá nos tempos da vovó (ou antes até). Havia um grande campo virgem onde as músicas tinham todo o espaço para virarem clássicos. Toda melodia era original; toda harmonia uma novidade; uma mistura de ritmos era para derrubar qualquer um da cadeira.
Hoje? Parece que tudo era possível já foi feito. Está difícil achar um pedaço de chão que ainda não tenha sido pisado.
O resultado disto são estas aberrações (como a Miley Cirus se fazendo de puta para tentar aparecer) ou aquelas músicas que tanto faz (como uns 1000 sertanejos universitários que usam a mesma harmonia sob uma melodia manjada).
Daí eu me pergunto: se estou na frente do computador, por que vou entregar meu valioso clique para ouvir o novo disco do Paul McCartney se eu posso ouvir os Beatles original que (com todo o respeito ao Lord Paul) é muuuuito melhor e inédito? Por que ouvir Restart se, com o mesmo clique, eu posso ver um show histórico do Queen ou os Paralamas do Sucesso fazendo história no Rock in Rio em 1985. Só porque a bermuda dos caras está fora de moda?
Resumindo, já faz quase um século que a humanidade está produzindo audiovisual ("O cantor de jazz" de 1927 foi o primeiro filme falado) e, desde então, as grandes obras têm se tornado clássicos. À medida que o tempo passa, estes clássicos vão se acumulando e, com a internet, temos acesso a qualquer um deles. Você pode passar sua vida inteira ouvindo somente clássicos e, ainda assim, não vai ouvir todos. Não há nenhuma necessidade de apelar para porcarias atuais.
Acredito que isto valia para tudo: música, cinema, pintura, literatura, TV, academia...
Portanto, se você quer ser criativo, prepare-se para concorrer com gênios que até já foram para o túmulo.
Pensemos no início de tudo, lá nos tempos da vovó (ou antes até). Havia um grande campo virgem onde as músicas tinham todo o espaço para virarem clássicos. Toda melodia era original; toda harmonia uma novidade; uma mistura de ritmos era para derrubar qualquer um da cadeira.
Hoje? Parece que tudo era possível já foi feito. Está difícil achar um pedaço de chão que ainda não tenha sido pisado.
O resultado disto são estas aberrações (como a Miley Cirus se fazendo de puta para tentar aparecer) ou aquelas músicas que tanto faz (como uns 1000 sertanejos universitários que usam a mesma harmonia sob uma melodia manjada).
Daí eu me pergunto: se estou na frente do computador, por que vou entregar meu valioso clique para ouvir o novo disco do Paul McCartney se eu posso ouvir os Beatles original que (com todo o respeito ao Lord Paul) é muuuuito melhor e inédito? Por que ouvir Restart se, com o mesmo clique, eu posso ver um show histórico do Queen ou os Paralamas do Sucesso fazendo história no Rock in Rio em 1985. Só porque a bermuda dos caras está fora de moda?
Resumindo, já faz quase um século que a humanidade está produzindo audiovisual ("O cantor de jazz" de 1927 foi o primeiro filme falado) e, desde então, as grandes obras têm se tornado clássicos. À medida que o tempo passa, estes clássicos vão se acumulando e, com a internet, temos acesso a qualquer um deles. Você pode passar sua vida inteira ouvindo somente clássicos e, ainda assim, não vai ouvir todos. Não há nenhuma necessidade de apelar para porcarias atuais.
Acredito que isto valia para tudo: música, cinema, pintura, literatura, TV, academia...
Portanto, se você quer ser criativo, prepare-se para concorrer com gênios que até já foram para o túmulo.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Tentando entender as Manifestações 2013 - Um único movimento para reivindicações fragmentadas.
Eis aí um problema.
Contra o que exatamente estamos protestando?
Contra os R$ 0,20 do ônibus? Alckmin? Haddad? Dilma? Congresso? Gastos abusivos para a Copa do Mundo? Falta de saúde? Falta de educação? Violência da polícia? Má administração pública? PEC 37?
Que atitudes do governo nos fariam parar de ir às ruas?
Baixar a tarifa do ônibus? Renúncia do Alckimin? Implosão do Congresso Nacional?
Um mundo interligado, mas fragmentado.
A internet tem este caráter paradoxal. Por um lado, torna o mundo uma coisa só, por outro, cria pequenas tribos. Cada pequeno grupo compartilha e mastiga seus memes, suas músicas, suas preferências e suas ideias nas redes sociais. Para exemplificar. Não há mais um Roberto Carlos, mas dezenas de Luans Santanas, Gustavos Limas, Michel(s) Telós...
Cada pequena tribo se ligou a pequenos conjuntos de reivindicações.
Motivos não faltam: má gestão, corrupção, farra com o dinheiro público, falta de saúde e educação, gastos absurdos com a Copa do Mundo, transporte público lamentável, justiça travada, carga tributária opressiva, etc, etc, etc... Enfim, um Brasil repleto de absurdos públicos.
Vários motivos, uma só insatisfação.
Cada cidadão, com seu pacote de frustrações e reivindicações montado na frente de seu computador pessoal, agora sai às ruas em uma manifestação fragmentada.
Um único grito coletivo de basta apoiado em milhões de desejos subjetivos.
Uma atitude simbólica.
Enfim, o que as pessoas esperam é que tudo melhore. É justo, mas também etéreo. Por onde começar?
A única saída que consigo imaginar para o poder público neste momento é uma atitude simbólica e expressiva. Na impossibilidade de fazer tudo o que se está pedindo, restaria este ato que conseguisse denotar uma mudança que estaria por vir e, desta forma, acalmar os ânimos para que partíssemos para um outro momento, com atitudes que levem em conta que o sinal de alerta está ligado.
Das manifestações, eu espero bom senso e paz.
Mas, resta ainda uma pergunta.
Quem são nossos líderes?
Eu não sei. Nem do lado dos manifestantes, nem do lado governo.
Os pronunciamentos da presidenta Dilma, lendo textos polidos por marketeiros é uma cena devastadora e covarde.
Do outro lado, há uma horizontalidade do movimento que vai às ruas, em uma multidão em que cada um vai por si.
Difícil de entender e difícil de resolver.
Para ilustrar toda esta fragmentação.
Segue um link com cartazes. Cada qual com o seu qual.
http://www.naosalvo.com.br/os-top-23-melhores-cartazes-das-manifestacoes/
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