Com tantas discussões teóricas por aí, com tantas opiniões sobre tudo e todos...
Sabe aquela pilha de pratos sujos que, de tão grande, chega a te deixar confuso em como se livrar de tamanha imundície? Daí, você começa a elaborar mil planos para poder escolher o melhor?
Só que o melhor ainda não te parece o bastante e você segue planejando enquanto a pia continua lá daquele jeito.
Faça o simples.
Há uma pequena colher-de-chá no alto da pilha. Comece por ela. Pegue calmamente a esponja, acrescente detergente e deixe a colherzinha um lustro. Com sorte, ela chegará a ser uma belezinha que você nunca notou.
Você verá o caminho. Há um prato logo embaixo que nem está tão sujo. Lave-o bem lavadinho.
Percebe? A pilha de pratos já está menor e, pensando bem, não há sentido na pressa em terminar. Sinta a espuma e a água diluirem aquela vontade de correr para uma tela qualquer a saber das últimas novidadenhas. Vê? Indo ali em círculos pelo ralo?
Há sempre aquela vontade de melhorar o mundo que nos aflige. Quem não quer? E um mundo com menos pratos sujos não é um mundo melhor? Relaxe também este nó. É só ir fazendo melhor que o mundo vai melhorando.
Por falar em melhorar, quanta gente já melhorou o mundo só porque põe a mão nas coisas, não é? O lixeiro, por exemplo, deixa a rua muito melhor por onde ele passa. Depois dele, tem aquelas pessoas que melhoram o lixão indo lá e separando coisas, às vezes até para comer.
Há estas coisas bem difíceis neste mundo, mas não é delas que você está cuidando agora.
Conserte a calçada, faça uma poda, resolva o problema da maçaneta, plante em um vazo, regule o motor do carro, limpe o fundo da casa, ofereça ajuda, dê caminho àquelas coisas sem uso... Qualquer coisa boa vale. Qualquer coisa sem opinião, sem cartaz, sem holofotes, sem pavonices, desde que feita em pouco-a-pouco.
Vê que a pilha de pratos já vai acabando? Sente-se ainda melhor? Para melhorar, um mundo com você melhorando é um mundo melhorado.
Tente não piorar tudo com um falar à toa que pouco edifica, senão destrói. Basta um palpite sobre o nada e as chatices do mundo põe a cara para fora. Boca fechada e concentração bastam para se chegar à felicidade passageira como o mundo.
É fato. A pilha-de-pratos terminou e você pode olhar o serviço pronto sobre a pia úmida. Bonito, não é? Uma beleza banal e fugaz, como a elegante fumacinha do cigarro, que até seria merecido neste momento se não fizesse tão mal como dizem. Ceder às tentações... Ah, esta eterna briga entre a razão e todo o resto.
Não me diga que aquele vazio já voltou ?
Não espere que isto se resolva. Não há solução.
Tenha grandeza e vá descansar um pouco, vá.
Marcos Luporini
Assuntos do mundo contemporâneo.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Faltou alguma coisa?
Pois é. Como brasileiro, acho que é isto que estou sentindo. Está faltando um monte de coisas. Água, inclusive! Parece que só temos empolgação na bagagem e chegamos a um lugar onde nossa empolgação não resolve nada.
De quem é a culpa? É sempre dos outros. Do olho gordo do vizinho, da incompetência do governo, do esquecido que não lembrou daquilo que eu havia esquecido.
Eu é que não volto para buscar nada!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
domingo, 31 de agosto de 2014
Rápida reflexão sobre o LP e os sebos.
Só andei pensando.
Há um certo tipo de LP que é cool para quem frequenta sebos.
Não é aquele que todos "ouviram até furar", como o Thriller do finado Michael, por exemplo. Não porque os que frequentam sebos são soberbos e não queiram tal disco. É porque ele, quando encontrado, está quase furando mesmo. Roda, mas não rola.
Também não é aquela coletânea do Grupo Bombom.
(Já existiu Grupo Bombom ou estou delirando?)
Neste caso, o motivo é mais simples: ninguém quer mesmo. Nunca ninguém gostou de verdade.
O LP legal, mas legal mesmo é aquele que tem um puta som, mas não fez sucesso à época, seja por qualquer motivo.
Um ótimo exemplo: Tim Maia Racional.
Quando estourou tardiamente, já no embalo da internet, tinha um monte destes LPs por aí por conta de uma das histórias do Tim Maia (quem quiser saber da história, que leia o Nelson Mota). Acho que devia ter até disco 0 km em estoque.
Foi uma festa! Não tinha LP mais cool no sebo.
Mas tudo isto, eu só andei pensando.
Tchau.
Há um certo tipo de LP que é cool para quem frequenta sebos.
Não é aquele que todos "ouviram até furar", como o Thriller do finado Michael, por exemplo. Não porque os que frequentam sebos são soberbos e não queiram tal disco. É porque ele, quando encontrado, está quase furando mesmo. Roda, mas não rola.
Também não é aquela coletânea do Grupo Bombom.
(Já existiu Grupo Bombom ou estou delirando?)
Neste caso, o motivo é mais simples: ninguém quer mesmo. Nunca ninguém gostou de verdade.
O LP legal, mas legal mesmo é aquele que tem um puta som, mas não fez sucesso à época, seja por qualquer motivo.
Um ótimo exemplo: Tim Maia Racional.
Quando estourou tardiamente, já no embalo da internet, tinha um monte destes LPs por aí por conta de uma das histórias do Tim Maia (quem quiser saber da história, que leia o Nelson Mota). Acho que devia ter até disco 0 km em estoque.
Foi uma festa! Não tinha LP mais cool no sebo.
Mas tudo isto, eu só andei pensando.
Tchau.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
quarta-feira, 23 de julho de 2014
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