terça-feira, 12 de novembro de 2013

E o CLIQUE DE OURO vai para...

Ando meio assustado com a produção musical brasileira atual. Sejam grandes lançamentos ou produções independentes, só vejo mesmice. Culpa de quem?

Pensemos no início de tudo, lá nos tempos da vovó (ou antes até). Havia um grande campo virgem onde as músicas tinham todo o espaço para virarem clássicos. Toda melodia era original; toda harmonia uma novidade; uma mistura de ritmos era para derrubar qualquer um da cadeira.

Hoje? Parece que tudo era possível já foi feito. Está difícil achar um pedaço de chão que ainda não tenha sido pisado.

O resultado disto são estas aberrações (como a Miley Cirus se fazendo de puta para tentar aparecer) ou aquelas músicas que tanto faz (como uns 1000 sertanejos universitários que usam a mesma harmonia sob uma melodia manjada).

Daí eu me pergunto: se estou na frente do computador, por que vou entregar meu valioso clique para ouvir o novo disco do Paul McCartney se eu posso ouvir os Beatles original que (com todo o respeito ao Lord Paul) é muuuuito melhor e inédito? Por que ouvir Restart se, com o mesmo clique, eu posso ver um show histórico do Queen ou os Paralamas do Sucesso fazendo história no Rock in Rio em 1985. Só porque a bermuda dos caras está fora de moda?

Resumindo, já faz quase um século que a humanidade está produzindo audiovisual ("O cantor de jazz" de 1927 foi o primeiro filme falado) e, desde então, as grandes obras têm se tornado clássicos. À medida que o tempo passa, estes clássicos vão se acumulando e, com a internet, temos acesso a qualquer um deles. Você pode passar sua vida inteira ouvindo somente clássicos e, ainda assim, não vai ouvir todos. Não há nenhuma necessidade de apelar para porcarias atuais.

Acredito que isto valia para tudo: música, cinema, pintura, literatura, TV, academia...

Portanto, se você quer ser criativo, prepare-se para concorrer com gênios que até já foram para o túmulo.